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Boletim Ambiental

Fundo americano retoma controle de empresa brasileira suspeita de fraude

Jorge Fergie, o chefe das operações do KKR no Brasil. Foto: Silvia Costanti - 15.jan.2013/Valor/Folhapress

Os executivos indicados pelo fundo bilionário norte-americano KKR retomaram na noite de segunda (28) o controle da administração da Aceco TI, empresa especializada em criar ambientes seguros para armazenagem de dados.

O desembargador Fabio Tabosa determinou que o empresário Jorge Nitzan não tinha o direito de trocar a diretoria enquanto busca um novo comprador para a Aceco.

A decisão é mais um lance da intricada disputa entre o KKR e a família Nitzan.

Os antigos sócios se enfrentam em diferentes processos na Justiça, depois que o KKR argumentou ter descoberto fraude e corrupção na empresa que adquiriu dos Nitzan e do fundo General Atlantic por R$ 1,2 bilhão.

De acordo com investigação feita pela consultoria KPMG a pedido do KKR, a Aceco TI pagou R$ 57 milhões a consultorias, escritórios de advocacia e outras firmas que podem ter sido usadas para repassar propina a funcionários públicos.

As suspeitas incluem contratos em órgãos como o Ministério da Integração Nacional, a estatal Eletronuclear e a Secretaria da Fazenda de São Paulo.

Em razão das suspeitas, o KKR afastou Nitzan (que manteve 12% do negócio) da administração da Aceco e abriu um processo de arbitragem pedindo o dinheiro de volta.

Em uma reviravolta inesperada, no entanto, Nitzan havia retomado o controle da empresa dois meses atrás com a ajuda do Bradesco.

Por meio de uma empresa chamada NTN, Nitzan adquiriu R$ 250 milhões de uma dívida de R$ 600 milhões que a Aceco contraiu com o banco para alavancar seus negócios.

EXECUÇÃO

Com o faturamento em queda em razão da recessão brasileira e do escândalo de corrupção, a Aceco não pagou os juros da dívida, que era garantida pelas ações que o KKR detinha na empresa.

Nitzan então executou as garantias e retomou a empresa, expulsando os americanos do negócio. O KKR tentou impedir a operação na Justiça, mas não conseguiu, porque se recusou a depositar a quantia devida ao Bradesco em juízo.

O contrato da dívida entre Aceco e Bradesco, no entanto, determina que o credor deve vender as ações para um novo dono.

Com base nesse ponto, os advogados do KKR entraram com uma nova ação, alegando que Nitzan era o dono “provisório” das ações e não poderia trocar a diretoria.

O desembargador Tabosa concordou com os argumentos e deu uma decisão preliminar que permitiu ao KKR voltar para a companhia. O caso, no entanto, ainda será analisado por mais dois desembargadores.

Ao voltar para o comando da empresa, o KKR quer ter mais influência sobre o valor pelo qual ela vai ser vendida, porque o montante que ultrapassar os R$ 250 milhões da dívida adquirida por Nitzan vai para o fundo.

Além disso, os americanos querem impedir que Nitzan destrua eventuais provas da corrupção que serão utilizadas na arbitragem e em um processo de leniência da Aceco no ministério da Transparência.

Link Curto: http://bit.ly/2g0OZzw

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