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Boletim Ambiental

Delação da Odebrecht atinge coração do PMDB e menciona Temer

Temer, Padilha, Renan, Eunicio e Jucá são integrantes da cúpula do PMDB atingida por delação, que poupou Sarney. Foto: Reprodução/Valor

O presidente Michel Temer foi informado pelo executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho sobre o interesse da então diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, em saber quais políticos do PMDB tinham recebido “ajuda financeira” do conglomerado. Pessoa de confiança da então presidente Dilma Rousseff, Graça seria nomeada para a presidência da estatal em 2012, cargo que deixou em 2015.

Em 2011, Graça quis saber do à época presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, quais políticos do PMDB tinham sido financiados. Após a reunião, Odebrecht instruiu Melo Filho, então vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, a informar com urgência o então vice-presidente Michel Temer sobre a conversa com a diretora. Melo Filho procurou o então ministr de Assuntos Estratégicos da Presidência, Moreira Franco. “Pouco tempo depois, Moreira Franco me ligou, marcou um encontro no Palácio do Jaburu e me pediu que transmitisse pessoalmente a Temer o que havia dito a ele. Na presença de Temer e Moreira, relatei o recado de Odebrecht”, registrou Melo Filho

O trecho, parte das 82 páginas de anexos da pré-delação de Melo Filho, vazada na sexta-feira, que assim como outros 76 executivos e ex-funcionários do conglomerado assinou delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR), sugere não apenas uma cadeia de comando no financiamento de políticos pemedebistas, como também a preocupação do então governo petista com os contatos mantidos pelo PMDB com o grupo. Procurada pelo Valor, Graça disse desconhecer o assunto.

Segundo Melo Filho, o encontro com Temer e Moreira no Jaburu “deixa clara a confiança entre ambos”. De acordo com o delator, Marcelo Odebrecht não respondeu à pergunta feita por Graça. A expectativa é que Melo Filho preste depoimento ainda esta semana para ratificar, em delação premiada, as informações entregues por escrito.

Nos anexos, Melo Filho diz que repassou valores para políticos em troca da defesa de interesses da empresa na tramitação de medidas provisórias e para o financiamento irregular de campanhas. Ele comprometeu o núcleo mais próximo de Temer dentro do PMDB, mas também mencionou ajuda a a políticos do PT, PSDB, DEM, PTB, PCdoB, PSB, PV,PPS, PV e PSD. Quase todos identificados com codinomes. Também teria recebido recursos o ex-assessor de Dilma, Anderson Dorneles.

O delator disse que usava intermediários para fazer seus pleitos chegarem tanto a Temer quanto ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL), líder do PMDB no Senado entre 2011 e 2013 e presidente da Casa desde então. No caso de Temer, valia-se de Moreira Franco, hoje secretário-executivo do programa de parcerias de investimentos, e do atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha. Já com Renan, a intermediação era feita pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR). “Essa era uma via de mão dupla, pois o atual presidente da República também utilizava seus prepostos para atingir interesses pessoais, como no caso dos pagamentos que participei, operacionalizados via Eliseu Padilha”, afirmou.

Segundo ele, Temer teria recebido parte de um total de R$ 10 milhões para a campanha de 2014. O dinheiro teria sido solicitado pelo atual presidente à Odebrecht, em reunião ocorrida no Jaburu em maio de 2014. Melo Filho disse que dos R$ 10 milhões, R$ 6 milhões foram para a campanha do presidente da Fiesp Paulo Skaf ao governo de São Paulo, em 2014, e o restante repartido por outras campanhas do PMDB. Essa divisão coube a Padilha, segundo o delator. Parte dos recursos teria sido entregue em espécie em São Paulo, no escritório do assessor especial de Temer, o advogado José Yunes, “entre 10 de agosto e o final de setembro de 2014”, de acordo com Melo Filho. Procurado pelo Valor, Yunes negou ter recebido valores e afirmou que delatores que mencionam pagamentos em espécie podem passar informações falsas em suas colaborações para ocultar eventuais desvios de dinheiro.

O delator disse que “todos os assuntos” no Congresso dos quais tratou em nome da Odebrecht se iniciavam por meio de Jucá. “Jucá agia em nome próprio e do grupo político que representava, formado por Renan Calheiros, Eunício Oliveira (líder do PMDB no Senado) e membros do PMDB”, disse. Ele classificou Jucá, hoje líder do governo no Congresso, como “o homem de frente” nas tratativas com agentes privados e “responsável na arrecadação de recursos”, que chegavam “por via oficial ou caixa dois”. Para Jucá foram destinados R$ 22 milhões, desde 2005, que teriam sido em parte redistribuídos pelo parlamentar.

O ex-ministro da secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, recebia pagamentos regulares, segundo Melo Filho, que teriam ocorrido de 2006 a 2014, oferecendo “contrapartidas claras”. Jucá, Padilha, Moreira Franco e Geddel formam o núcleo de pemedebistas mais próximos do presidente da República, e todos desmentiram as acusações.

Melo Filho também mencionou o petista Jaques Wagner, governador da Bahia na década passada e ministro de Dilma. Wagner teria recebido R$ 7,5 milhões em dez parcelas, de agosto de 2010 a março de 2011, e atuado na tentativa de mudar a lei de leniência, em 2015. Wagner nega relações impróprias. No PSDB, o delator afirma que o senador Aécio Neves (MG) intermediou recursos para o senador José Agripino Maia (DEM-RN). Ambos negam as acusações.

Link Curto: http://bit.ly/2hFCkOP

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